31 dezembro 2015

Alguma música para a passagem de ano


In the Mood, por Glenn Miller e a sua orquestra


La Foule, por Edith Piaf


Tic-tac do meu Coração, por Carmen Miranda


Hit the Road, Jack, por Ray Charles


Auld Lang Syne, uma canção escocesa tradicionalmente cantada durante a passagem de ano, pela Orquestra Sinfónica da BBC

27 dezembro 2015

Uma selfie na Serra da Leba, Angola

(Foto: Jessé Manuel)

25 dezembro 2015

Natal

Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos
em casa de gente bem.

Hoje é dia de Natal.
— Mas quando será de todos?

Sidónio Muralha (1920–1982)



Adeste Fideles, do rei D. João IV de Portugal (1604–1656), que foi um compositor de grande mérito, por um coro que inclui os Pequenos Cantores de Viena e uma orquestra não identificada

24 dezembro 2015

Natal à Beira-Rio

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
a trazer-me da água a infância ressurrecta.

Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
que ficava, no cais, à noite iluminado…

Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
mais da terra fazia o norte de quem erra.

Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
à beira desse cais onde Jesus nascia…
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão-Ferreira (1927–1996)


Uma figura em terracota, das cerca de 500 que Machado de Castro (1731–1822) criou para o presépio da Basílica da Estrela, em Lisboa, o maior presépio português e também, certamente, o mais belo (Foto: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura)

19 dezembro 2015

Uma pomba da paz, de Picasso

Cartaz concebido por Pablo Picasso (1881–1973) para o Primeiro Congresso Mundial dos Partidários da Paz


No ano de 1949, realizou-se em Paris o chamado "Primeiro Congresso Mundial dos Partidários da Paz", que alegadamente era de inspiração comunista, mas no qual participaram muitos miltantes de organizações de esquerda não-comunistas. Presidiu ao congresso o cientista francês Frédéric Joliot-Curie, Prémio Nobel da Química de 1935. Entre os participantes contaram-se o poeta chileno Pablo Neruda, o cantor norte-americano Paul Robeson, o pintor espanhol Pablo Picasso, etc. O cartaz do congresso foi concebido por Picasso, a pedido do escritor francês Louis Aragon.

16 dezembro 2015

Tu e Eu Meu Amor

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua a mão que segura
outra mão que lhe é dada
nua a suave ternura
na face apaixonada
nua a estrela mais pura
nos olhos da amada
nua a ânsia insegura
de uma boca beijada.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nu o riso e o prazer
como é nua a sentida
lágrima de não ver
na face dolorida
nu o corpo do ser
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua nua a verdade
tão forte no criar
adulta humanidade
nu o querer e o lutar
dia a dia pelo que há-de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Manuel da Fonseca (1911–1993), in Poemas para Adriano


(Foto de autor desconhecido)

12 dezembro 2015

A alma cigana de Concha Buika


Mi Niña Lola, por Buika, uma cantora espanhola nascida em Palma de Maiorca, de pai e mãe originários da Guiné Equatorial

09 dezembro 2015

Porcelana de Vila Nova de Gaia

Marca de fábrica muito antiga, na base de uma chávena de porcelana (Foto: Maria da Conceição Costa)


Durante muitos séculos, Gaia foi terra de bonecreiros, oleiros, barristas e ofícios correlativos. Daqui resultou o aparecimento, também em terras de Gaia, de grandes escultores, como Soares dos Reis, Teixeira Lopes, Fernandes de Sá e muitos outros. Daqui resultou igualmente o surgimento de uma pujante indústria cerâmica, que se impôs, sobretudo, nos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX.

Das grandes empresas de cerâmica que em Gaia viram a luz do dia, já pouco resta. Resta, por exemplo, a Cerâmica de Valadares, que se especializou no fabrico de louça sanitária e que foi salva in extremis da falência, encontrando-se neste momento a laborar outra vez.

Outras grandes empresas de cerâmica gaienses não tiveram a mesma sorte. Por exemplo, podemos considerar criminosa a forma como a notável Fábrica de Cerâmica das Devesas foi votada ao abandono, dilapidada e vandalizada. Outra grande fábrica que desapareceu foi a Cerâmica do Carvalhinho que, aliás, nasceu no Porto, tendo-se mudado para Gaia para poder crescer e evoluir. Outra que também desapareceu foi a Cerâmica do Fojo. Enfim, o rol de tristezas que envolve a indústria cerâmica de Gaia não tem fim.

Uma das empresas mais emblemáticas da cerâmica gaiense foi a Electro-Cerâmica do Candal, também desaparecida. As antigas instalações da Electro-Cerâmica constituem hoje um parque industrial, onde operam algumas pequenas empresas, nenhuma delas ligada à indústria cerâmica, segundo me parece. O que terá acontecido ao espólio da velha Electro-Cerâmica? O que fizeram ao seu laboratório de ensaios de muito alta tensão, que foi um dos dois únicos existentes no país (o outro era da EDP, em Sacavém)? Desconheço.

A Electro-Cerâmica do Candal foi uma empresa única em Portugal. Ela especializou-se no fabrico de produtos isolantes de porcelana para aplicações elétricas, tendo desempenhado um papel fundamental na eletrificação do país. Ainda hoje, muitos dos isoladores cerâmicos usados nas linhas de transporte de energia elétrica, que atravessam Portugal de lés a lés, foram fabricados pela Electro-Cerâmica. Em Portugal, mais ninguém sabia fabricá-los com as características dielétricas extremas que só a Electro-Cerâmica sabia. O encerramento desta empresa foi, ele também, uma enorme perda para o país.

Mas a Electro-Cerâmica do Candal não fabricou só produtos industriais. Embora estes fossem a parte principal da sua produção, a Electro-Cerâmica fabricou também uma quantidade considerável de peças para uso caseiro, nomeadamente serviços de mesa e peças decorativas, na mais pura porcelana, à imagem e semelhança da fábrica da Vista Alegre. Muitas pessoas pensarão, aliás, que muita da produção da Electro-Cerâmica é da Vista Alegre, mas não é. Para confirmar, é preciso ver a marca da fábrica no lado de baixo dos pratos, chávenas e restantes produtos.

As fotografias que se seguem mostram algumas das peças de porcelana decorativas e de mesa, fabricadas em Vila Nova de Gaia pela Electro-Cerâmica do Candal. Todas as fotografias são reproduzidas do blog Detalhes Cerâmicos, editado por Maria da Conceição Costa e Susana Gomes, onde muitas mais podem ser vistas.

Serviço de café em estilo art déco (Foto: MdS Leilões)

Serviço de chá, dos inícios de laboração da Electro-Cerâmica (Foto: Esmeralda Bernardo)

Tête-à-tête, composto por um conjunto de 6 peças: 2 chávenas de chá, um bule, uma leiteira, um açucareiro e a travessa que serve de tabuleiro (Foto: Maria da Conceição Costa)

Homem de fraque. A cabeça é apoiada internamente por um mecanismo de arames e/ou molas, que permitia que a cabeça abanasse ao toque (Foto: MdS Leilões)

Chávena antiga. A minha avó tinha um serviço de chá e café idêntico (Foto: Maria da Conceição Costa)

Serviço de chá colorido (Foto: Maria da Conceição Costa)

Prato decorativo pintado e oferecido pelo pintor da Electro-Cerâmica José Ribeiro da Costa à sua sobrinha, por altura da sua Primeira Comunhão no fim da década de 50. Peça única (Foto: Maria da Conceição Costa)

Biscoiteira (Foto: Maria da Conceição Costa)

Serviço de chá e café. Serviço constituído por 12 chávenas, açucareiro, bule, cafeteira, leiteira e um prato de bolo que não se vê na imagem (Foto: Maria da Conceição Costa)

Galheteiro. Imagem retirada do site de uma leiloeira

Prato de doce decorado com motivos florais (Foto: Maria da Conceição Costa)

Moedas de porcelana. Depois da 1ª Grande Guerra, e face à falta de metal para a cunhagem de dinheiro, algumas entidades, entre as quais a Câmara Municipal de V. N. Gaia, procederam (neste caso, através da Electro-Cerâmica) à emissão destas moedas, denominadas "tesseras" (Foto: Maria da Conceição Costa)

Jarras decorativas (Foto: Maria da Conceição Costa)

"Sapato". Tinha como função alimentar alguém que estivesse doente, pois a ponta afunilada e de diâmetro maior que as comuns palhinhas permitia que o doente ingerisse algo mais substancial, como, por exemplo, uma sopa (Foto: Maria da Conceição Costa)

Jarra com asa (Foto: Maria da Conceição Costa)

04 dezembro 2015

Sinfonia dos Brinquedos


Sinfonia dos Brinquedos, de autor anónimo, por um conjunto de intérpretes não identificados. A obra completa tem sete andamentos, mas só três é que são habitualmente tocados, tal como sucede na interpretação que aqui se ouve. São eles: 1º andamento, Allegro; 2º andamento, Minueto; 3º andamento, Final (Presto)


A chamada Sinfonia dos Brinquedos não é, em rigor, uma sinfonia, mas isso é o que menos interessa. É uma encantadora obra composta para sete brinquedos, dois oboés, duas trompas, orquestra de cordas e baixo contínuo.

O seu autor é desconhecido. Durante muito tempo julgou-se que tivesse sido o grande compositor austríaco Joseph Haydn. Mais tarde, sugeriu-se que não, que o autor devia ter sido Leopold Mozart, o pai do genial Wolfgang Amadeus Mozart. Desde há algum tempo, passou a haver quem dissesse que não foi o pai do Mozart que compôs esta peça, mas sim um monge austríaco chamado Edmund Angerer. Outros ainda dizem que foi Michael Haydn, irmão de Joseph Haydn. Enfim, há autores para quase todos os gostos... Na estação de rádio Antena 2, por exemplo, a Sinfonia dos Brinquedos costuma ser anunciada como tendo sido composta por Leopold Mozart.

Quem quer que tenha sido o autor da Sinfonia dos Brinquedos, uma coisa é certa: foi alguém que viveu na 2ª metade do séc. XVIII, pois esta obra apresenta as características típicas do período clássico. É música clássica no sentido estrito do termo e (isto é que interessa) é uma obra cheia de graciosidade e de frescura infantil, a ouvir sem falta.

01 dezembro 2015

Sabedoria Cree

(Foto: Aboriginal Peoples Television Network)

Quando a última árvore tiver sido cortada, o último rio tiver sido envenenado e o último peixe tiver sido pescado, só então o homem descobrirá que não pode comer dinheiro.