22 agosto 2017

Imagens falsas de Astronomia

Vê-se logo que esta imagem é falsa. Não existem cães na Lua. Mas mesmo que se retire o cão, a imagem continua a ser falsa. Com efeito, se repararmos na Terra, o nosso lindo planeta azul, ao fundo, veremos que ela se apresenta iluminada de cima para baixo. Contudo, as sombras na Lua mostram que esta se encontra iluminada da esquerda para a direita. Esta imagem é completamente falsa, mas que tem graça, tem... (Imagens da NASA sobrepostas por um desconhecido)


As imagens que ilustram este artigo foram retiradas de uma página na internet da revista americana Forbes. Outras imagens se podem ver lá. Não há dúvida de que se trata de fotografias impressionantes, mas são todas falsas menos uma.

As imagens na internet atingiram uma sofisticação tal, que cada vez se torna mais difícil distinguir as verdadeiras das falsas. O Photoshop e outros programas de edição de imagem conseguem fazer autênticos milagres de falsificação.

Se não quisermos ser enganados por imagens astronómicas falsas fingindo que são verdadeiras, só nos resta vê-las em páginas de fontes de confiança, como a NASA (Agência Espacial Norte-Americana), a ESA (Agência Espacial Europeia) ou alguma universidade ou instituto de investigação. A NASA, concretamente, publica diariamente uma imagem diferente (fotografia ou vídeo) na sua página Astronomy Picture Of The Day (APOD).


Por muito bonita que seja, esta imagem é falsa. O reflexo da Lua na água do lago está sobreposto ao reflexo da paisagem arborizada (Imagem de autor desconhecido)


Esta imagem só não é verdadeira num aspeto: as folclóricas cores variadas das estrelas, que formam um arco em resultado do longo tempo de exposição. Na vida real, as estrelas e os planetas apresentam-se brancos no céu noturno, com exceção do planeta Marte, que se apresenta avermelhado (Imagem manipulada por Justin Ng)


Esta imagem empresta uma aura de grande mistério às pirâmides do Egito, mas é falsa, evidentemente (Imagem de autor desconhecido)


A imagem anterior resulta da sobreposição destas duas fotografias reais (Foto da esquerda: Waldemar Weiss. Foto da direita: Hubble Legacy Archive)


Esta imagem é VERDADEIRA. Foi tirada em 2012, por ocasião de um eclipse anular do Sol, com uma teleobjetiva (Foto: Colleen Pinski)

17 agosto 2017

O pequeno Hiawatha

Little Hiawatha, um filme de desenhos animados de Walt Disney datado de 1937

14 agosto 2017

A Fonte

La Source, óleo sobre tela do pintor neoclássico francês Jean-Auguste Dominique Ingres (1780–1867). Musée d'Orsay, Paris, França

10 agosto 2017

O naufrágio do Lusitania


The Sinking of tne Lusitania, filme de animação de Winsor McCay, 1918. Filme mudo e legendado em inglês

RMS Lusitania foi o nome de um grande paquete transatlântico inglês (um dos dois maiores do seu tempo), que um submarino alemão criminosamente afundou no dia 7 de maio de 1915 a sul da costa da Irlanda. Estava-se em plena 1.ª Grande Guerra e a Alemanha tinha interditado toda a navegação em volta das Ilhas Britânicas. O RMS Lusitania tinha saído de Nova Iorque com destino a Liverpool, com 1962 passageiros e tripulantes a bordo, e afundou-se em dezoito minutos. Morreram 1198 pessoas.

O naufrágio do RMS Lusitania, ocorrido apenas três anos depois do do RMS Titanic, serviu de inspiração ao norte-americano Winsor McCay para um filme de animação. Winsor McCay foi o primeiro grande autor de animação da história do cinema e fez dos desenhos animados uma verdadeira arte. The Sinking of the Lusitania foi o último e o melhor de todos os seus filmes. Demorou dois anos a ser feito e implicou a realização de 25 mil desenhos. Foi estreado em 1918.

07 agosto 2017

Castelo Rodrigo

O escudo invertido, dito "difamado", da vila de Castelo Rodrigo. Este brasão de pernas para o ar foi atribuído pelo rei D. João I, como castigo pelo facto de a vila ter tomado partido por Castela na crise de 1383–1385 (Gravura do livro As Cidades e Villas da Monarquia Portugueza que Teem Brasão d'Armas, 1865, de Inácio de Vilhena Barbosa)

Se o concurso da RTP intitulado 7 Maravilhas de Portugal®  Aldeias tivesse lugar 30 anos atrás, de certeza absoluta que Castelo Rodrigo não só não iria à final, como nem sequer seria levada a concurso. Não poderia, de maneira nenhuma, competir com Podence, em Trás-os-Montes, com Alte, no Algarve, ou com os Biscoitos, na Ilha Terceira.

Quando fui pela primeira vez a Castelo Rodrigo, há muitos anos, fiquei aterrado com o que encontrei. A velha vila fortificada nas terras de Riba Coa era então uma ruína tão degradada e tão miserável, que só apetecia fugir dali para fora. As pouquíssimas pessoas que ainda habitavam aquelas casas decrépitas eram pessoas de muita idade que, por uma razão ou por outra, não se tinha mudado lá para baixo, para a sede de concelho, a vila de Figueira de Castelo Rodrigo. Porque teimavam elas em permanecer em local tão ermo e tão triste? A ruína e o ar de abandono de Castelo Rodrigo eram verdadeiramente impressionantes. Tudo indicava que, assim que os seus idosos moradores morressem, Castelo Rodrigo ficaria sendo uma vila fantasma, com o mato a crescer por entre as pedras das ruínas.


A antiga sinagoga de Castelo Rodrigo, que deu lugar a um poço-cisterna depois da expulsão dos judeus por D. Manuel I (Foto: Nmmacedo)

Julgo que foi em 1995, mais ou menos, que arrancou um programa de Recuperação de Aldeias Históricas de Portugal, o qual visou recuperar diversas localidades de importância histórica no interior centro do país. A velha vila de Castelo Rodrigo foi uma das aldeias recuperadas no âmbito do programa, juntamente com Almeida, Belmonte, Castelo Mendo, Castelo Novo, Idanha-a-Velha, Linhares, Marialva, Monsanto, Piódão, Sortelha e Trancoso. O que aconteceu a estas localidades parece quase um milagre. No caso de Castelo Rodrigo (e também no de Castelo Mendo) foi mesmo um milagre. Foi um milagre laico e feito pelos homens, mas foi um milagre, mesmo assim.


A igreja matriz de Castelo Rodrigo, dedicada a Nossa Senhora de Rocamador, ou de "Reclamador" como também lhe chamam. É uma igreja medieval de estilo românico, com diversas intervenções posteriores. Agora pergunto: qual é maior, a igreja ou a sua torre? Ao fundo, à esquerda, avista-se o pelourinho de Castelo Rodrigo, do tipo gaiola (Foto: CCDRC)

Ora vamos lá ver se nos entendemos. O modo de vida que encontrei em Castelo Rodrigo na minha primeira visita praticamente já não existe. O séc. XXI também acabou por chegar a Castelo Rodrigo. Agora, a antiga vila voltou-se para o turismo e para o mercado das segundas habitações, como aconteceu a muitas outras localidades portuguesas. Em vez dos velhos moradores, que tristemente esperavam a chegada da sua própria morte numa vila também ela moribunda, novas gentes, mais jovens e mais urbanizadas (ou mesmo 100% urbanas), percorrem agora as suas renovadas ruas e calçadas. Será que podemos ainda dizer, como faz a RTP, que Castelo Rodrigo é uma "aldeia autêntica"? Permito-me duvidar. Podence, sim, é uma aldeia autêntica. Belmonte é também uma vila autêntica. Agora Castelo Rodrigo… Enfim, talvez se possa falar numa nova autenticidade, para o caso de Castelo Rodrigo. É uma autenticidade do séc. XXI.


Ruínas do palácio de Cristóvão de Moura em Castelo Rodrigo. Cristóvão de Moura foi um dedicado apoiante de Filipe II de Espanha (que veio a ser Filipe I de Portugal), aquando da crise dinástica aberta pelo desaparecimento do rei D. Sebastião em Alcácer Quibir. Como prémio, Filipe I nomeou-o conde de Castelo Rodrigo e Filipe II (Filipe III de Espanha) nomeou-o marquês, também de Castelo Rodrigo. Depois da Restauração da Independência em 1640, o povo da vila destruiu o palácio, que ficou como se vê. Em primeiro plano, na imagem, veem-se amendoeiras floridas (Foto: Município de Figueira de Castelo Rodrigo)

04 agosto 2017

Fotógrafo de Viagens do Ano 2017

Fotografia vencedora do concurso "Fotógrafo de Viagens do Ano 2017". Categoria: Natureza. Local: Rancho de Aguirre, Colima, México. «Uma poderosa erupção ilumina as vertentes do vulcão Colima, no México, em 13 de dezembro de 2015. Eu estava na cidade de Comala quando subitamente vi uma incandescência sobre a cratera do vulcão e comecei a fotografar. Alguns segundos mais tarde, uma poderosa explosão vulcânica expeliu uma nuvem de cinzas e um enorme raio iluminou a maior parte da escura cena. Foi um dos momentos mais excitantes da minha vida». (Foto e legenda: Sergio Tapiro Velasco)


A revista National Geographic acaba de revelar os resultados do concurso Fotógrafo de Viagens do Ano 2017. A fotografia vencedora mostra um vulcão sendo atingido por um raio, de Sergio Tapiro Velasco, que vale ao seu autor uma viagem de 10 dias às Ilhas Galápagos. Os autores das fotografias premiadas seguintes recebem prémios pecuniários.

As fotografias premiadas podem ser vistas na página da National Geographic que é dedicada ao concurso, de onde poderão ser quase todas descarregadas, a fim de serem usadas como wallpapers em computadores, tablets e smartphones. Vale a pena vê-las.


Fotografia vencedora das escolhas do público na categoria Natureza. Local: Equador. Um colibri alimenta-se do néctar de uma flor na floresta equatoriana. (Foto: Hymakar Valluri)


Fotografia vencedora das escolhas do público na categoria Pessoas. Local: Munshiganj, Dhaka, Bangladesh. «Esta fotografia foi tirada das margens do rio Dhaleswari em Munshiganj, Bangladesh, quando carregadores transportavam areia para descarregá-la num local próximo do rio». (Foto e legenda: Tanveer Hassan Rohan)

02 agosto 2017

Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919–2004)



(Foto de autora desconhecida)